
O que fazer imediatamente ao cair em um golpe do Pix
Introdução
Cair em um golpe do Pix é uma experiência desesperadora. Em poucos segundos, o dinheiro some da conta, e a vítima sente-se impotente diante da velocidade da transação. Mas, apesar do susto, há medidas que podem — e devem — ser tomadas imediatamente para tentar recuperar os valores e responsabilizar os envolvidos.
O sistema bancário digital trouxe agilidade e praticidade, mas também abriu espaço para criminosos cada vez mais criativos. Saber o que fazer nas primeiras horas após o golpe é fundamental para aumentar as chances de reversão do prejuízo.
1. Bloqueie a operação o quanto antes
O primeiro passo é entrar em contato imediato com o banco para informar a fraude e pedir o bloqueio da transação.
Desde 2021, o Banco Central implementou o Mecanismo Especial de Devolução (MED) — um recurso que permite o bloqueio dos valores transferidos via Pix quando há indício de golpe.
➡️ Importante: o pedido precisa ser feito o mais rápido possível, preferencialmente nas primeiras 24 horas após a transação.
Peça ao banco o número de protocolo e registre o atendimento.
2. Registre um boletim de ocorrência
Logo após o contato com o banco, registre um Boletim de Ocorrência (B.O.), presencialmente ou online, relatando todos os detalhes da fraude.
Inclua informações como:
- Data e hora da transferência;
- Valor enviado;
- Chave Pix de destino;
- Prints de mensagens ou ligações recebidas;
- Nome e CPF (se disponíveis) do beneficiário.
O boletim é essencial para comprovar a fraude e pode ser exigido tanto pelo banco quanto em eventual ação judicial.
3. Guarde todas as provas
Documentar é fundamental. Salve prints das conversas, e-mails, comprovantes, notificações bancárias e protocolos de atendimento.
Essas evidências ajudam a demonstrar à Justiça que você foi vítima de golpe e que agiu rapidamente para tentar solucionar o problema.
Mesmo detalhes simples, como o número de telefone usado pelo criminoso ou o link acessado, podem ser importantes para rastrear a fraude.
4. Informe o banco destinatário
Além de acionar o seu banco, é possível entrar em contato com o banco que recebeu o Pix, informando que a conta beneficiária foi usada em golpe.
As instituições financeiras são obrigadas a cooperar entre si nesses casos, e o alerta pode impedir que os criminosos movimentem o valor recebido.
5. Busque orientação jurídica
Se o banco se recusar a devolver o valor ou demorar a agir, é essencial procurar um advogado especializado em direito bancário.
Com base no Código de Defesa do Consumidor (CDC), os tribunais vêm reconhecendo que os bancos são responsáveis objetivamente pela segurança das operações — ou seja, mesmo sem culpa direta, podem ser obrigados a ressarcir o cliente.
O advogado poderá:
- Notificar formalmente o banco;
- Ingressar com ação judicial para restituição do valor;
- Solicitar indenização por danos morais, quando houver constrangimento ou prejuízo significativo.
6. O que não fazer
❌ Não tente negociar diretamente com o golpista.
Muitos criminosos usam essa tentativa para aplicar novos golpes.
❌ Não apague mensagens ou comprovantes.
Esses documentos são provas importantes para o banco e para a Justiça.
❌ Não demore a agir.
Quanto mais tempo passa, menores são as chances de bloquear os valores.
Perguntas frequentes
1. Ainda posso recuperar o dinheiro depois de alguns dias?
Depende. Se o pedido de bloqueio via MED não foi feito logo após o golpe, a devolução é mais difícil, mas ainda é possível buscar o ressarcimento judicialmente.
2. O banco é obrigado a devolver o valor?
Em muitos casos, sim. A Justiça entende que o banco tem dever de segurança sobre o sistema e deve responder por falhas que permitam fraudes.
3. Posso registrar o boletim de ocorrência online?
Sim. A maioria dos estados permite o registro eletrônico por meio dos sites da Polícia Civil.
4. O que fazer se o banco disser que “não há o que fazer”?
Procure imediatamente orientação jurídica. Há inúmeros precedentes em que o Judiciário determinou o reembolso total dos valores fraudados.
Conclusão
Cair em um golpe do Pix é uma situação angustiante, mas agir com rapidez e estratégia faz toda a diferença.
Registrar o ocorrido, acionar o banco e buscar apoio jurídico especializado são passos fundamentais para tentar reverter o prejuízo e garantir seus direitos.
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A recuperação do seu dinheiro pode ser possível — e a lei está do seu lado.
Autor: Mário Coelho – OAB/SC 73467
Escritório: Mário Coelho Advogados
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