Do Maranhão a Santa Catarina: as duas pontas da nossa missão
Como uma infância no Maranhão explica por que o BPC para autistas nunca deixou de ser o centro do meu trabalho — mesmo depois que a base virou Santa Catarina
Domingo de manhã, escritório vazio, só eu e um café. É nesses dias que sobra espaço pra lembrar de onde vim — porque não tem prazo de recurso, perícia marcada ou audiência puxando a semana pra frente. Sobra silêncio. E o silêncio, pra mim, sempre volta pro Maranhão.
Nasci e cresci lá. Hoje atendo famílias inteiras da Grande Florianópolis — São José, Florianópolis, Palhoça, Biguaçu, Santo Amaro da Imperatriz — e também gente do Brasil inteiro, pela internet. Entre essas duas pontas existe uma história que explica por que escolhi ser advogado previdenciarista, e por que autismo e BPC nunca foram só uma especialidade técnica escolhida numa planilha de mercado. Escrevo sobre isso quase toda semana no blog do escritório, mas essa versão eu queria contar direto, sem forma de artigo técnico.
De onde eu vim
Quem não é do Norte ou do Nordeste costuma achar que “burocracia do INSS” é a mesma em qualquer lugar do país. Não é. Lá, marcar uma perícia médica pode significar viajar horas até a cidade mais próxima com agência. Atualizar o CadÚnico num município pequeno pode significar fila desde antes de o CRAS abrir. Isso não é reclamação distante — foi o que vi, na prática, com famílias que conhecia.
Cresci vendo mães resolverem essas coisas sozinhas, sem saber muito bem por onde começar. Não tinha internet do jeito que tem hoje, nem grupo de WhatsApp trocando informação. Tinha paciência, tentativa e erro, e muita gente desistindo no meio do caminho.
Anos depois, formado e trabalhando em Santa Catarina, percebi que a distância geográfica não apaga essas barreiras — só muda a forma como elas aparecem. Uma mãe em São Luís e uma mãe em São José enfrentam obstáculos diferentes, mas a sensação de estar sozinha resolvendo algo grande demais é praticamente a mesma. Foi isso que me fez insistir em manter o atendimento aberto para o Brasil inteiro, e não só para quem mora perto do escritório.
Maranhão — onde tudo começou
A origem da minha relação com o direito previdenciário e com o autismo. Onde vi de perto o que significa lutar por um benefício sem rede de apoio por perto.
Santa Catarina — onde a missão ganhou estrutura
A base atual do escritório, com atendimento organizado para a Grande Florianópolis e, por meio digital, para famílias de qualquer estado do país.
O dia em que o BPC deixou de ser só um artigo de lei
Existe um momento específico em que o BPC parou de ser, pra mim, um número de lei decorado na faculdade e virou outra coisa. Não vou reescrever tudo aqui — já contei essa parte com mais calma na página sobre por que me especializei em BPC para autistas. Mas resumindo: foi uma situação de perto, dentro da minha própria história, que me mostrou o tamanho da diferença entre uma família que consegue o benefício e uma que não consegue.
O que ninguém te conta é que essa diferença não é só financeira. É rotina de terapia, é fralda geriátrica, é acompanhante em escola, é dignidade no dia a dia. Um valor mensal que parece pequeno em uma planilha do governo é, na casa de uma família real, a diferença entre conseguir sustentar um tratamento e ter que escolher entre ele e outra conta.
Não foi um estágio, nem uma disciplina da faculdade que me ensinou isso. Foi observar de perto — sem distância profissional, sem crachá — o desgaste de uma família tentando provar, pra um sistema que muitas vezes não entende autismo, que aquela criança precisava de apoio. Decidi ali que, se algum dia tivesse condição de facilitar esse caminho pra outras famílias, era isso que eu ia fazer.
Voltar ao Maranhão, sempre
Mesmo morando em Santa Catarina, o Maranhão nunca ficou pra trás. Continuo acompanhando de perto histórias de lá, e boa parte do que aprendi sobre as barreiras reais do Norte e Nordeste — filas, distância, dificuldade de acesso — vem dessas conversas que não param. Reuni essa parte com mais detalhes na página sobre nossa história com o autismo no Maranhão, pra quem quiser entender a origem completa.
Aqui no escritório, já vimos casos em que a família só destravou o processo depois de encontrar alguém que entendesse essa realidade sem precisar de desenho. Isso pesa na forma como atendo até hoje, mesmo à distância. Um município pequeno no interior maranhense pode não ter agência do INSS, nem CRAS funcionando todos os dias da semana. Quando isso acontece, o processo não anda porque falta explicação — anda porque alguém teve paciência de acompanhar cada etapa remotamente, e isso vale tanto pra quem mora longe do escritório quanto pra quem mora do lado.
Por que Santa Catarina virou minha base
Santa Catarina entrou na história por outro caminho, mais recente. Foi aqui que consegui estruturar o escritório do jeito que sempre imaginei: atendimento online organizado, primeira consulta gratuita, e uma rotina que permite acompanhar processo de perto mesmo com o cliente longe fisicamente.
Hoje a base fica na Grande Florianópolis — São José, Florianópolis, Palhoça, Biguaçu e Santo Amaro da Imperatriz —, mas na prática atendemos famílias em qualquer estado, o mesmo tipo de família que eu via crescer no Maranhão, só que agora com ferramentas melhores pra ajudar de verdade. Videochamada em vez de viagem, documento digitalizado em vez de fila, acompanhamento por mensagem em vez de silêncio entre uma etapa e outra. A tecnologia não resolve tudo, mas encurta uma distância que antes parecia impossível de atravessar.
Quem quiser entender como funciona o benefício em si, sem essa parte da história, escrevi um material mais técnico: o guia completo sobre BPC para autistas em 2026.
O que essa história muda pra quem me procura
Não conto essa trajetória pra parecer mais competente do que qualquer colega que também trabalha bem com previdenciário. Conto porque ela explica escolhas concretas do escritório: por que insistimos em explicar cada etapa do processo em vez de só pedir documento; por que o primeiro contato é sempre uma conversa, não um formulário frio; por que autismo e BPC continuam sendo prioridade mesmo com o escritório atendendo outras frentes do INSS.
- Atendimento pensado pra quem já tentou resolver sozinho e se perdeu no caminho
- Explicação em linguagem direta, sem depender de termo técnico pra parecer sério
- Acompanhamento online para qualquer estado do Brasil, com a mesma atenção de um atendimento presencial
- Primeira consulta gratuita, sem compromisso, pra você entender se faz sentido seguir
Quem passa por isso sabe que confiança não se constrói com promessa de resultado. Se construir, é com clareza sobre o processo e disposição de explicar cada passo — e é isso que tentamos manter, do Maranhão até aqui.
Tem gente que pergunta se essa “parte pessoal” atrapalha o lado técnico do trabalho. É o contrário. Ela me deixa mais atento a detalhes que passariam despercebidos numa análise puramente burocrática — um laudo mal formulado, um histórico de terapias que precisa aparecer melhor documentado, uma perícia marcada em cima da hora sem tempo de organização. São coisas que aprendi a enxergar justamente porque já vi, de dentro, o custo de não enxergar.
Perguntas que me fazem sobre essa trajetória
O escritório atende só famílias de pessoas autistas?
Não. Atendemos diversas frentes do INSS, mas BPC para autismo segue sendo uma área de atenção especial, por causa dessa história pessoal com o tema.
Por que virei advogado previdenciarista, e não outra área do direito?
Porque previdenciário mexe direto com o dia a dia de quem já está numa fase difícil da vida — doença, deficiência, envelhecimento. Depois do que vivi no Maranhão, não fazia sentido escolher outro caminho.
Vocês atendem só Santa Catarina ou o Brasil inteiro?
O escritório fica em Santa Catarina, mas o atendimento é online para todo o Brasil, incluindo Maranhão e o restante do Norte e Nordeste.
Saber essa história muda alguma coisa no meu processo?
Muda a forma como conduzimos o atendimento — com mais paciência para explicar cada etapa — mas não muda a análise técnica do seu caso, que segue sendo feita com o mesmo cuidado para qualquer pessoa.
Como faço a primeira consulta?
Basta chamar no WhatsApp do escritório. A primeira análise é gratuita e serve para entender se o seu caso tem caminho antes de qualquer decisão.
Do Maranhão até aqui, a missão continua a mesma
Se você chegou até este texto buscando entender quem está do outro lado da tela, já sabe: essa história é o motivo pelo qual levamos cada caso a sério. Para conhecer mais sobre o trabalho, visite o blog do escritório ou fale diretamente comigo.
Falar com Dr. Mário Coelho