Por que me especializei em BPC para autismo
De Belém a Florianópolis: a história pessoal por trás do trabalho que faço hoje
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De Belém a Florianópolis
Comecei a advogar em Belém, no Pará. Lembro bem das filas de madrugada em frente às agências do INSS e da distância que muita família precisava enfrentar só para conseguir uma perícia marcada. No Norte, “perto” às vezes significa duas ou três horas de barco ou estrada.
Isso molda a forma como você enxerga o direito previdenciário. Não como teoria. Como logística, como cansaço, como um dia inteiro de trabalho perdido só para chegar a um guichê.
Anos depois, a vida trouxe eu e a Flávia para Florianópolis. Trocamos a Amazônia pela Grande Florianópolis, e trocamos também de ritmo. Mas uma coisa não mudou: em São José, em Palhoça, em Biguaçu, em Santo Amaro da Imperatriz, encontrei as mesmas famílias cansadas, tentando entender por que o INSS negou um pedido que parecia tão óbvio na prática.
Foi nessa mudança de cidade — e de perspectiva — que o BPC para autismo deixou de ser só mais um tema entre tantos que eu atendia.
O dia em que o tema deixou de ser só profissional
Quem passa por isso sabe que não existe um dia exato em que tudo muda. Existe, sim, um acúmulo de pequenos sinais que a gente demora a juntar.
Foi assim com a gente. Eu e a Flávia fomos percebendo, aos poucos, que o desenvolvimento do nosso filho pedia um olhar diferente do que estávamos acostumados. Consultas, relatórios, escola, terapia. E no meio disso, uma pergunta que eu, como advogado previdenciário, deveria saber responder de cabeça — e não sabia: como o INSS enxerga o autismo na prática?
Descobri, estudando para a nossa própria situação, que a maioria dos pais não faz ideia de que existe um benefício assistencial pensado justamente para famílias como a nossa. E descobri também que o INSS não avalia o diagnóstico isoladamente. Avalia o quanto o autismo interfere na rotina, na independência, no convívio da criança.
Esse foi o momento em que o profissional e o pai pararam de ser duas pessoas separadas dentro de mim.
Por que o BPC para autismo virou minha área
Na prática, a maior parte dos advogados previdenciaristas trata o BPC como mais um item de cardápio — um benefício entre aposentadoria, auxílio-doença e pensão. Eu também tratava assim, até perceber que o autismo pede um olhar técnico e humano diferente de qualquer outro caso que eu atendia.
O impacto funcional do autismo varia muito de criança para criança. Duas crianças com o mesmo diagnóstico podem ter necessidades completamente diferentes, e o INSS, muitas vezes, não tem tempo nem instrução clara para captar essa diferença numa perícia de poucos minutos.
Reuni tudo o que aprendi, como advogado e como pai, no guia completo sobre BPC para autistas, que explica em detalhes quem tem direito, como funciona a perícia e quais documentos realmente pesam na decisão.
Prefiro não repetir aqui o passo a passo técnico — esse guia já faz esse trabalho com profundidade. O que quero contar nesta história é outra coisa: por que, entre tantas áreas do direito previdenciário, essa foi a que eu escolhi levar mais a sério.
O que aprendi ouvindo famílias de verdade
Aqui no escritório, já vimos casos em que a família só descobriu o direito ao BPC anos depois do diagnóstico, porque ninguém tinha explicado que aquele CadÚnico desatualizado, feito às pressas num CRAS lotado, era o motivo real da negativa.
O que ninguém te conta é que a distância entre a família e o direito, muitas vezes, não é jurídica. É geográfica e burocrática. Em cidades pequenas do Norte e do Nordeste, atualizar o CadÚnico pode significar um dia inteiro de deslocamento. Marcar perícia pode significar meses de espera. E, no meio disso, a criança continua precisando de terapia, de escola, de rotina — coisas que não esperam o INSS decidir.
Contei um pouco dessa trajetória, de forma mais pessoal, em outro texto sobre como o Maranhão e a Amazônia moldaram a forma como enxergo esse trabalho hoje. Se quiser entender melhor essa parte da história, vale a leitura.
Na Grande Florianópolis a realidade é outra, mas as barreiras existem do mesmo jeito — só mudam de forma. Aqui, o desafio costuma ser diferente: relatórios médicos genéricos, escolas que não documentam o suficiente, e famílias que acham que “esperar o diagnóstico fechar” é a única forma de agir.
Os erros que mais vejo — e por que custam caro
Não é sobre técnica jurídica. É sobre comportamento, sobre o que a ansiedade e o cansaço levam uma família a fazer sem perceber.
Esperar o diagnóstico “fechar”
O INSS avalia impacto funcional, não apenas o CID. Esperar demais só atrasa o pedido — e a criança perde tempo de proteção.
Guardar só o essencial
Relatórios escolares, terapêuticos e de rotina costumam pesar tanto quanto o laudo médico na análise do INSS.
Enfrentar tudo sozinho
Muitas famílias desistem depois de uma negativa que poderia ser revertida com orientação certa desde o início.
Nossa missão daqui pra frente
Hoje, quando atendo uma família no escritório, não estou só aplicando técnica jurídica. Estou reconhecendo uma cena que já vivi em casa: a mesa cheia de papéis, a dúvida sobre por onde começar, o cansaço de explicar a mesma coisa para pessoas diferentes.
Escrevi, num momento mais pessoal, uma carta direcionada a pais e mães que estão nessa fase — sem juridiquês, só verdade. Se você está começando essa jornada agora, talvez valha mais essa leitura do que qualquer explicação técnica que eu possa dar aqui.
A missão do escritório, hoje, é simples de descrever e difícil de cumprir todo dia: transformar em orientação clara tudo aquilo que a burocracia insiste em tornar confuso.
Nossa história com o autismo, do Maranhão até aqui
Como as origens no Norte e Nordeste moldaram a forma como o escritório atua hoje.
Uma carta para pais e mães de autistas
Um texto pessoal para quem está no começo dessa jornada e não sabe por onde começar.
Perguntas que recebo sobre essa história
A história do escritório tem mesmo relação pessoal com o autismo?
Sim. Eu e a Flávia vivemos, dentro de casa, boa parte do que hoje explico para os clientes — e foi essa vivência que me levou a estudar o BPC para autismo com mais profundidade do que qualquer outro benefício.
Por que um advogado previdenciário decide se especializar justamente em autismo?
Porque o autismo exige um olhar diferente de qualquer outro caso: o INSS avalia impacto funcional, não apenas diagnóstico, e poucos profissionais se aprofundam nesse detalhe. Vi essa lacuna de perto, primeiro como pai, depois como advogado.
O que mudou entre atuar em Belém e atuar na Grande Florianópolis?
A distância física diminuiu, mas os desafios continuam parecidos: relatórios incompletos, CadÚnico desatualizado e famílias que não sabem por onde começar. Mudou a paisagem, não a essência do problema.
O escritório atende famílias fora de Florianópolis?
Sim, o atendimento é on-line para todo o Brasil, com primeira consulta gratuita — o que ajuda justamente as famílias que enfrentam mais dificuldade de deslocamento.
Onde encontro as informações técnicas completas sobre o BPC para autismo?
No guia completo sobre BPC para autistas, que reúne quem tem direito, como funciona a perícia e quais documentos mais pesam na análise do INSS.
Se você chegou até aqui porque alguma parte dessa história se pareceu com a sua, minha sugestão prática é simples: não espere o diagnóstico “fechar” para buscar orientação, e não enfrente o INSS sozinho baseado só no que ouviu de outras famílias — cada caso tem particularidades que fazem diferença real na decisão.
Para o passo a passo completo sobre documentos, perícia e critérios de renda, o guia completo sobre BPC para autistas continua sendo o ponto de partida mais seguro. E se quiser conversar sobre a sua situação específica, a primeira consulta com o escritório é gratuita.
— Mário Coelho, OAB/SC 73467
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